A periodontite é uma das doenças inflamatórias crônicas mais comuns no mundo, podendo levar à perda óssea, perda dentária e até complicações sistêmicas. Embora os protocolos de tratamento sejam bem estabelecidos, a resposta dos pacientes varia — e nem todos evoluem da mesma forma, mesmo seguindo corretamente as recomendações clínicas.
O que a ciência investigou?
Pesquisadores desenvolveram um modelo de *machine learning* para prever, de forma individualizada, como cada paciente responderia ao tratamento periodontal após 1 ano. O modelo foi treinado com dados de 414 pacientes de estudos clínicos randomizados na América do Sul, considerando 18 variáveis como aspectos clínicos, microbiológicos, demográficos e relacionados ao tratamento.
Resultados promissores
O modelo apresentou alta precisão na predição dos resultados no grupo inicial e manteve um bom desempenho quando testado em uma população diferente, composta por pacientes da América do Norte e Europa — um passo importante para validar sua aplicabilidade em diferentes contextos clínicos.
O que mais influenciou os resultados?
Fatores clínicos: 42%
Características do tratamento: 33%
Dados microbiológicos: 21%
Dados demográficos: 4%
O que isso significa na prática?
Esses achados sugerem que ferramentas baseadas em inteligência artificial podem, no futuro, ajudar profissionais a personalizar planos de tratamento periodontal, identificando pacientes com maior risco de progressão da doença e otimizando os cuidados.
Conclusão
Embora ainda sejam necessários estudos prospectivos antes da aplicação clínica, a inteligência artificial mostra grande potencial para transformar a periodontia em uma área cada vez mais personalizada e preditiva.
📌 A odontologia do futuro já está sendo construída hoje!
Fonte: J Periodontol. 2025;96:1199–1212.
Texto por
Ivan Borges Jr
Especialista em Periodontia, Mestre em Nutrição, Doutor em Periodontia