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Bioatividade na Odontopediatria: como novos materiais estão transformando o cuidado infantil

A ciência por trás das escolhas: o que dizem os estudos sobre os materiais bioativos.

Bioatividade na Odontopediatria: como novos materiais estão transformando o cuidado infantil

A odontopediatria tem avançado rumo a abordagens mais biológicas e minimamente invasivas. Nesse cenário, os materiais bioativos ganham protagonismo como aliados na promoção da saúde bucal infantil, com foco na preservação tecidual e estímulo à regeneração.

Diferente dos materiais restauradores convencionais, os bioativos interagem com os tecidos dentários de forma ativa e benéfica. À liberação de íons terapêuticos, estímulo à formação de hidroxiapatita, indução de reparo pulpar e ação remineralizante estão entre suas principais propriedades.

O que são materiais bioativos?

São materiais capazes de provocar respostas biológicas positivas ao interagir com os tecidos dentários. Isso inclui a liberação controlada de íons como fluoreto, cálcio e fosfato, formação de hidroxiapatita, adesão química à estrutura dental e biocompatibilidade com tecidos pulpares. Tais características favorecem a remineralização, o selamento marginal e a preservação da vitalidade pulpar, especialmente em dentes decíduos e permanentes jovens (Bossù et al., 2020).

Cimentos de ionômero de vidro, inclusive os modificados por resina, permanecem amplamente utilizados. São indicados para restaurações atraumáticas (ART), selantes e forradores, graças à liberação contínua de fluoreto, adesão química ao dente e tolerância à umidade (Mount et al., 2020).

Compósitos bioativos como ACTIVA BioACTIVE e giômeros com partículas S-PRG combinam estética, resistência mecânica e propriedades bioativas. Estudos clínicos e revisões recentes demonstram desempenho equivalente aos materiais convencionais, com potencial remineralizante e boa estabilidade clínica (Boron et al., 2022; Ntaoutidou et al., 2025).
Os "alkasites", como o Cention N, apresentam efeito alcalinizante e liberação de íons com desempenho clínico promissor. Seu comportamento clínico é semelhante ao de resinas compostas em termos de retenção e recorrência de cárie (Carvalho et al., 2024).

Materiais à base de silicato de cálcio, como MTA e Biodentina, destacam-se em procedimentos pulpares. Sua eficácia em pulpotomias, com taxas de sucesso superiores a 90%, é reforçada por revisões sistemáticas e diretrizes clínicas (Bossù et al., 2020; AAPD, 2024).

Materiais bioativos oferecem benefícios relevantes: ação anticárie pela liberação de íons, biocompatibilidade pulpar, adesão química ao dente e aplicabilidade em técnicas minimamente invasivas (Boron et al., 2022; Ntaoutidou et al., 2025; Bossù et al., 2020; Carvalho et al., 2024). São especialmente úteis em crianças com alto risco de cárie ou baixa colaboração.

Por outro lado, desafios incluem menor resistência mecânica em cavidades extensas, risco de descoloração marginal e custo mais elevado em algumas formulações, como a Biodentina. Além disso, muitos materiais ainda carecem de estudos com acompanhamento prolongado (Carvalho et al., 2024).

A incorporação de materiais bioativos marca um avanço na odontopediatria. Com propriedades que vão além da simples restauração, esses materiais contribuem para a preservação da vitalidade dentária e o sucesso clínico a longo prazo. Com base nas evidências disponíveis, seu uso bem indicado fortalece a abordagem minimamente invasiva e oferece alternativas seguras, eficazes e biologicamente ativas para o tratamento odontopediátrico.

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Prof.ª M.Sc. Mariana Perini Zendron Prochnow - CRO 16792-SC
Cirurgiã-dentista formada pela UFSC, especialista e mestre em Odontopediatria. Habilitada em sedação consciente com Óxido Nitroso. Atua com foco em terapias conservadoras, promoção de saúde bucal infantil e formação de novos profissionais.

Prof.ª Dr.ª Catherine Schmitz Espezim - CRO 
Cirurgiã-dentista graduada pela UFSC, mestre e doutora em Odontopediatria pela mesma instituição. Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, atua como odontopediatra no Hospital Infantil Joana de Gusmão e é coordenadora da Especialização em Odontopediatria da Be Dental School.

Referências

  • AAPD - American Academy of Pediatric Dentistry. (2024). Guideline on Pulp Therapy for Primary and Immature Permanent Teeth.
  • Boron, H., Sharma, N., & Abdelkarim, A. (2022). Clinical evaluation of bioactive resin-modified glass ionomer and giomer in restoring primary molars. BMC Oral Health, 22(1), 55.
  • Bossù, M., Iovacchini, I., Riva, B., Ozcan, M., Polimeni, A., & Orsini, G. (2020). Different pulp dressing materials for the management of carious exposures in primary teeth: A systematic review. Journal of Clinical Medicine, 9(3), 837.
  • Carvalho, C. N., Almeida, L. H., Oliveira, M. T., & Silva, L. A. (2024). Bioactive restorative materials in pediatric dentistry: A systematic review. Journal of Dentistry, 139, 104543.
  • Mount, G. J., Ngo, H. C., & Wolff, M. S. (2020). Glass-ionomer cements: A review of their current status. Operative Dentistry, 45(3), E109-E116.
  • Ntaoutidou, S., Kaklamanos, E. G., & Kloukos, D. (2025). Bioactive materials with S-PRG filler in paediatric dentistry: A scoping review. European Archives of Paediatric Dentistry, 26(2), 231-241.

Data

10/10/2025

Categoria

Artigo

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